Medo é medo! Existem técnicas para vencer o medo. Não tente fingir que o medo não existe. Ele existe! Converse com o seu corpo e controle a respiração. O corpo precisa entender que você está em perigo e precisa dele. Ele – o corpo – é seu maior aliado para enfrentar o medo. Analise a situação e o momento. Pergunta: o perigo é real ou uma imaginação da sua mente? Embora o medo seja uma emoção natural de proteção, ele perde a força quando você o enfrenta de maneira prática e consciente. Por duas vezes estive com um revólver na cabeça e jurado de morte. Consegui manter a calma e o equilíbrio emocional. Numa delas até poderia ter reagido e dominado o assaltante, mas não o fiz. Eu estava calmo e meu agressor nervoso e drogado. Eu o acalmei. Conversamos sobre futebol – torcedor do Galícia Esporte Clube, de Salvador –, e sua cidade natal, uma pequena cidade do interior da Bahia. Levou-me dinheiro e um relógio. Hoje de madrugada (na CBN, talvez) escutei uma entrevista com o correspondente de guerra e jornalista Lourival Sant’Anna, autor do livro “Minha guerra contra o medo – O que o risco de morte ensina sobre a vida”. Lourival contou passagens de sua vida no front, onde por diversas vezes esteve ameaçado de morte. Na sinopse do livro, estão os sete passos básicos propostos por Lourival Sant’Anna para lidar com o medo e acalmar a alma. Interessante. Eu já conhecia de longa data a técnica 5-4-3-2-1, exercício de ancoragem ou atenção plena que usa os cinco sentidos para acalmar a ansiedade e trazer a mente de volta ao momento presente. Segue o exercício: “5 - coisas que você pode ver: Olhe ao redor e identifique cinco objetos no seu ambiente. Pense neles ou diga o nome deles em voz alta. 4 - coisas que você pode tocar: Conecte-se com o sentido do tato. Reconheça quatro coisas que você consegue sentir fisicamente agora. 3 - coisas que você pode ouvir: Feche os olhos por um instante e preste atenção em três sons ao seu redor. 2 - coisas que você pode cheirar: Identifique dois aromas no ambiente. 1 - coisa que você pode saborear: concentre-se em um gosto que você sente na boca no momento.”. Funciona! Levantei-me e comecei a conversar com o meu velho corpo: controlei a respiração, fiz massagem nas canelas e nos pés, fui ao banheiro, tirei um café preto e puxei uma soneca na poltrona da sala. Até sonhei: estava no Parque Santiago, estádio time do Galícia, em Salvador, assistindo a um jogo de futebol entre o time do Galícia e o Bahia. Estranho, muito estranho: nunca estive por lá. Não tente fingir que o medo não existe. Ele existe.
João Scortecci