Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902 - 1976) nasceu em Diamantina, Minas Gerais. Até aos 19 anos morou em uma ladeira: difícil descer e mais ainda subir! Dizem que sua paixão por ruas e cidades planas vem desta época. Isso explica Brasília? Talvez. Anotei a “prosa” para pergunta ao amigo Roniwalter Jatobá (biografo de JK) sobre o assunto. Meu pai Luiz Gonzaga, Engenheiro Civil e Elétrico, foi amigo de JK e andaram conversando sobre o projeto de construir uma estrada de ferro. É o que sei. Minha curiosidade de menino ficou no destino dos trilhos: “café com pão, café com pão, café com pão, Virgem Maria o que foi isto maquinista?” (Manuel Bandeira). Eu queria era brincar de “trenzinho”. Para quem não sabe sou apaixonado por locomotivas, vagões, trilhos e estações de trem. Devo ter sido em outra “encadernação” maquinista, agente de estação, bilheteiro ou sinalizador, algo assim. Voltando ao JK e ao inicio dos anos 1980, frequentei a casa do poeta Menotti Del Picchia, na Avenida Brasil. O Príncipe dos Poetas havia trabalhado com meu avô materno José Scortecci, na Revista PAN. Isso no final dos anos 1930, antes da Segunda Guerra Mundial. Foi de Menotti que escutei as melhores histórias sobre os modernistas de 22, em especial sobre o antropofágico Oswald de Andrade. Só eu sei o que escutei! Nossos encontros aconteciam na sala principal da casa de Menotti sob os olhares de JK, devidamente enquadrado junto à porta da entrada. Menotti - isso não é segredo - era fã do mineiro e sempre que nos despedíamos ele resfolegava apontando para sua foto: “Um grande homem!” “Esse foi um presidente de verdade!” Nunca conversamos sobre o acidente de carro - possivelmente criminoso - que vitimou JK, no dia 22 de agosto de 1976. Quando jovem achava essas desconfianças tudo “fantasia” e “invenção” de maluco. Mudei. Hoje acredito em Saci Pererê, olho gordo, conspiração, bruxaria e até em Papai Noel. Sou feliz assim! Dizem - deve ser verdade - que “maluquice” vem com a idade e o melhor da inocência revisitada. No ano de 1976 estava no serviço militar obrigatório, de plantão no II Exército, no Parque do Ibirapuera. Lembro da notícia e do silêncio que foi perdê-lo na história. Reencontrei Juscelino Kubitschek, muito tempo depois, nas páginas do Semanário PAN, do editor e gráfico José Scortecci, meu avô materno. Difícil descer e mais ainda subir: café com pão, café com pão, café com pão, Virgem Maria o que foi isto maquinista? Precipícios, talvez.
João Scortecci