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OUTONO NA JANELA / JOÃO SCORTECCI

Das alucinações da manhã. Dos delírios de outono. Lugar real em lugar algum. Febril e suas reservas. Minha alma escreve. Lá fora uma multidão de ausentes. Silêncio temporal. No canteiro de cunhas, cravado no chão do concreto, uma flor de asfalto. Quase jardim. Resiste. Observo-a: logo existe! Sólida natureza. Até quando? Desconfio. Na esquizofrenia da janela um passarinho se agita no vidro. Liberta-te! Liberta-te! Ainda que tardia! Asas de fuga, papo amarelo, cabeça veloz, no norte de todas as direções. Gosto deles. São inquietos e leves. Quer voar, ir embora, voar. Algo - o quê? – o guarda perto da razão. Rupturas? Talvez. Alucinações no silêncio mágico do desejo matinal. Outono de delírios. Dono de si – o pássaro - abraça o real e um lugar de calmaria na janela. Ele me ocupa. Ocupa toda a rua, ainda deserta. Nós: estado febril, de cunhas e miragens. Alucinações da hora. E a vida - como ela é - segue o seu caminho no outono da janela. Logo existe! 

João Scortecci