Pesquisar

DAS ALAVANCAS DE BADEN-POWELL E O ESCOTEIRO KIM

Lembro-me – ainda menino de tudo – da epopeia que foi, com um bastão de escoteiro, improvisar uma alavanca e mover do chão seco do Rio Jaguaribe, no sertão do Ceará, uma grande pedra. Missão dada, missão cumprida! A cena - trabalho em equipe - ficou no coração e na memória. Fui lobinho e escoteiro. Meus irmãos Luiz e José: escoteiros, monitores e chefes. Meu pai Luiz, Comissário Regional do Ceará. Lembro-me do Jornalzinho KIM, personagem criada pelo irmão José, travestido de escoteiro, para ilustrar o informativo do Movimento dos Escoteiros do Ceará, impresso num mimeógrafo. Meu trabalho no jornalzinho era grampeá-lo! 4 folhas de sulfite, dobradas ao meio, sem refile. Folhas soltas, desde aquela época, já me incomodavam e muito. Provavelmente um pequeno “toque” de gráfico, algo assim. O Escotismo foi fundado em 1907, pelo tenente-general do Exército Britânico, Baden-Powell (Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, 1857 - 1941). No dia 23 de abril comemora-se o Dia Mundial do Escoteiro. A data foi escolhida em 1910, pelo próprio Baden-Powell, por ser o Dia de São Jorge, Patrono do Escotismo. Fui lobinho da Matilha Amarela – das aquelás Ana Maria Macedo e Gláucia Bomfim Alencar – e escoteiro da Patrulha Leão, do saudoso e sempre alerta Chefe Mourão (Antonio Mourão Cavalcante, 1948 - 2022). Meus irmãos Luiz Gonzaga e José Henrique estiveram no 1º Jamboree Pan-Americano, em 1965, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Quanto à pedra grande - aquela do leito do Rio Jaguaribe -, ainda, provavelmente, vive por lá. Equilibrada e única. Quanto ao menino KIM - vez por outra - o vejo imprimindo na Gráfica Scortecci, de uniforme cáqui, lenço no pescoço, lapela, chapéu de abas, portando um bastão de escoteiro. Papai Luiz comandava a gráfica, montada na mesa da sala de jantar. Mimeógrafo, litro de álcool zulu, papel sulfite e grampeador. Tiragem 100 cópias. Revezávamo-nos no giro da manivela, na colocação do papel na bandeja e de álcool no reservatório. Depois, tudo no seu tempo, vieram os mimeógrafos à tinta e - bem depois - os duplicadores. Quando trabalhei na F.K Equipamentos para Escritório, de 1977 até 1982, adorava vendê-los. Neles imprimíamos as listas de preços e os informativos da empresa. O escoteiro  KIM vivia por lá. Palpitava mais do que ajudava. Um pentelho. KIM tem olhos de conta fio e “toque” de gráfico, aquele que tudo vê. 

João Scortecci